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“E apesar de estarmos longe de nos sentirmos preparados para isso, empunhamos corajosamente o ‘gládio’  da ação numa realização prática. Bem modesta, por sinal, e o ‘gládio’ era mais um pedaço de pau, brinquedo com o qual foi começada a luta contra todos os dragões imagináveis para proteger a nossa infância e juventude, ao mesmo tempo que lhes dá a oportunidade de manejarem armas, facilmente reversíveis em ferramentas agrícolas e instrumentos, a cada necessidade construtora, para cada artesão, artista, sujeito a ser alguém, na civilização rural, cultura ou recreação.”

(Anotações de D. Helena Antipoff).”

A Associação Milton Campos para Desenvolvimento e Assistência a Vocação de Bem Dotados- ADAV é uma associação civil de caráter não lucrativo, com sede no município de Ibirité, MG. Foi fundada em 1973 pela psicóloga russa Helena Wladimirna Antipoff.

Atualmente a Adav é proponente do Projeto Espaço Cultural ADAV que está dividido em 4 frentes de atuação: crianças e adolescentes, idosos, família E ações culturais. Oferecendo atividades culturais e oficinas de arte-educação.

Em 1973 o poeta e escritor Carlos Drummond de Andrade escreveu sobre a ADAV para o Jornal do Brasil:

Anúncio de Investimento

Hoje venho propor-lhes um fabuloso investimento. Negócio de primeira qualidade, à margem das oscilações do mercado. Independe de leis e instruções oficiais que regulam (ou perturbam) a vida econômica do País. Qualquer que seja a orientação do General Geisel, próximo responsável pelos nossos destinos, o negócio que lhes apresento é absolutamente tranquilo rendoso. Lucro na certa. E que lucro!

Convido-os a investir nos jovens bem-dotados. Não sei se já repararam neles. Provavelmente, não.  Andam por aí, antes prejudicados que beneficiados pelos dotes do que se dispõem. Constituem um dos maiores recursos naturais com que poderíamos contar. Recursos naturais não são apenas as florestas, as fontes, os animais, os minerais de que nem sempre sabemos fazer bom uso, e que muitas vezes depredamos, quando não preferimos votá-los ao abandono. São também os seres humanos que surgem para a vida com potencialidades diversas, em geral desaproveitadas, e mesmo distorcidas, porque faltou o instrumento de aferição desses dons e sua consequente canalização para um resultado individual e socialmente útil.

No Brasil, uma distância sideral ainda nos separa da compreensão do bem-dotado. Não lhe oferecemos o quadro necessário para que a natureza cumpra o seu desígnio de lançar forças originais no quadro da vida. El deriva não raro para a marginalidade, quando não se afunda na mediocridade de uma existência cinza. A imaginação criadora, a inventividade insólita, o espírito de liderança, a coragem de ir contra a corrente, que ele traz consigo, não encontram senão por acaso feliz, condições de exprimir-se. O que sucede é que o portador de tais riquezas _ sim, riquezas a explorar numa sociedade que aspira ao aperfeiçoamento material e espiritual _ acaba vítima de sua estrela.

Já possuímos instituições especializadas para a educação dos deficientes, mas faltam-nos instituições que acolham aquela raça delicada, talvez um tanto áspera, dos que receberam uma centelha mais viva, e que são mal assimilados pela escolha comum. Pois bem.

Esse novo lar formador de vocações está sendo fundado em Minas, por altíssima senhora que na casa dos 80 anos, conserva uma inteligência vanguardista que a todo instante nos surpreende com seus desafios. É D. Helena Antipoff, criadora d Instituto Pestalozzi e da Fazenda do Rosário, figura central e humilde de todo o movimento educativo que reúne técnica e amor.

Para concretizar o novo projeto, fundou-se em Belo Horizonte a Associação Milton Campos que pretende cutucar a sensibilidade brasileira em prol dos bem-dotados. Mas sensibilizar aqui não é provocar solidariedade sentimental e um jorro de palavras líricas. É mobilizar consciências em torno de um problema de interesse nacional. E eu digo mais: é interessar os brasileiros num bom negócio, o negócio das vocações que amanhã levarão o País para a frente, num sentido de criação e afirmação humana (excluída a ideia boba ou cruel de superpotência dominadora e opressora).

Carlos Drummond de Andrade